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Quem foi Olga Benário Prestes?

Maria Bergner, mais conhecida no Brasil como Olga Benário Prestes ou Olga Benário, foi uma revolucionária alemã, nascida no dia 12 de fevereiro de 1908, na cidade de Munique, em uma família judia de classe média. Filha de uma dama de alta sociedade de Munique e de um advogado social democrata, Olga entrou em contato com ideias liberais avançadas ao ver o exemplo do pai, que trabalhava com as causas trabalhistas dos operários atingidos pela crise que se instalara no país.

Desde 1926, Olga Benário Prestes era membro do Partido Comunista alemão e foi acusada de atividades subversivas e presa em 1929.

A vida de Olga Benário Prestes

Aos 15 anos de idade, Olga já possuía uma formação cultural sólida composta por grandes escritores e pensadores alemães. Também se aproximou da Juventude Comunista, organização na qual começou a militar de forma ativa.

As atividades na organização aproximaram Olga do dirigente Otto Braun, com quem foi morar aos 16 anos. Em 1928, a alemã, juntamente a outros integrantes da Juventude Comunista, invadiu a prisão de Moahit para libertá-lo. Ambos fugiram para Moscou, onde Olga fez treinamento militar e carreira no Comintern.

Quem foi Olga Benário Prestes?
Foto: Reprodução

Ao lado de Luís Carlos Prestes

Após ser presa em 1929 e libertada, Olga Benário foi para a União Soviética, lugar em que passou a trabalhar na Internacional Comunista e onde conheceu o líder revolucionário brasileiro Luís Carlos Prestes, que liderou a famosa Coluna Prestes. Olga fez parte de um grupo de estrangeiros que acompanhariam Prestes em seu retorno ao Brasil, onde ele deveria liderar uma revolução que tentaria implementar o comunismo no país.

O casal chegou ao Brasil em abril de 1935 e instalou-se no Rio de Janeiro para organizar os preparativos da revolução. Após o fracasso da Intentona Comunista de 1935 nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, Olga e Luís Carlos Prestes foram presos e separados, em março de 1936.

Logo depois, Olga declarou aos jornalistas brasileiros que estava esperando um filho de Prestes. Mesmo grávida, a alemã foi deportada para a Alemanha nazista, seis meses depois. Ela foi entregue à polícia política alemã, a Gestapo, e enviada para um campo de concentração. Lá, nasceu Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário Prestes e Luís Carlos Prestes.

Anita foi entregue a sua avó paterna após uma campanha internacional pela sua libertação, e Olga continuou presa. Em 1942, morreu executada pelos nazistas na câmara de gás.

Imigração alemã para terras brasileiras

O primeiro grupo de imigrantes alemães chegou ao Brasil em 1818, fixando-se no sul da Bahia, porém a primeira colônia fundada pelos alemães foi em São Leopoldo, no Vale dos Sinos, Rio Grande do Sul. Na época, o Brasil havia se tornado independente de Portugal há pouco tempo, então Dom Pedro I, influenciado por José Bonifácio, decidiu inaugurar um programa de imigração para o Sul, induzido por questões de segurança nacional.

Nos primeiros 50 anos de imigração, o estado do Rio Grande do Sul recebeu entre 20 e 28 mil alemães, sendo que quase todos eles se dedicaram à colonização agrícola.

A distribuição geográfica da imigração alemã

Desde a fundação de São Leopoldo, cerca de 300 mil alemães vieram para o Brasil. Em 1827, os primeiros imigrantes alemães chegaram ao porto de Santos e se dirigiram a Santo Amaro. Os grupos que vieram depois foram para locais como São Roque, Embu, Itapecerica, Rio Claro e cafezais no interior do estado de São Paulo.

Dois anos depois, deu-se o início da colonização de Santa Catarina, que hoje é o mais alemão dos estados brasileiros, sendo que 35% de sua população têm ascendência alemã. No estado do Paraná, a colonização alemã começou pela cidade de Rio Negro; em 1833, o número de imigrantes aumentou em Curitiba. Embora em menor número que nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a imigração alemã também ocorreu em estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

O ápice da imigração alemã no Brasil ocorreu após a I Guerra Mundial e antes do início da Segunda Grande Guerra, entre os anos de 1920 e 1930. Naquele período, a Alemanha passava por grandes tensões de cunho político e econômico.

Imigração alemã para terras brasileiras
Foto: Reprodução

As características da imigração alemã

Os colonos alemães adaptaram-se em terras brasileiras sem abdicar de sua cultura, construindo um novo espaço onde puderam manter o seu próprio estilo de vida junto aos traços da cultura brasileira.

Muitos dos imigrantes alemães eram artesãos, industriais, comerciantes, professores e profissionais do meio urbano, e a mão de obra alemã contribuiu bastante para o desenvolvimento da industrialização do sul do país.

Um dos traços visíveis da expansão da imigração alemã no território brasileiro é a ampla rede de igrejas luteranas nas frentes de colonização, o que pode exemplificar um pouco a vasta influência alemã no país.

Movimento circular

Na mecânica clássica, um movimento circular é aquele em que o objeto ou ponto material se desloca em uma trajetória circular. Existe uma força centrípeta que muda o vetor velocidade de direção e é continuamente aplicada para o centro do círculo, sendo também responsável pela aceleração centrípeta, que é orientada para o centro da circunferência-trajetória.

De acordo com a ausência ou a presença de aceleração tangencial, o movimento circular é classificado em movimento circular uniforme (MCU) e movimento circular uniformemente variado (MCUV).

Grandezas angulares

Para fazermos a análise dos movimentos circulares, é necessária a introdução de novas grandezas, que são chamadas de grandezas angulares, medidas sempre em radianos.

As grandezas angulares são as seguintes:

  • Deslocamento/espaço angular: φ (phi);
  • Velocidade angular: ω (ômega);
  • Aceleração angular: α (alpha);
  • No caso do MCU existe ainda o período T, uma propriedade também utilizada no estudo dos movimentos periódicos.
Movimento circular
Foto: Reprodução

Equações do movimento circular

São três as equações que determinam o movimento circular:

  • Posição angular: S = φ .R, onde R é o raio da circunferência;
  • Velocidade angular média: ωm= Δφ/Δt;
  • Aceleração centrípeta: ac = v2/R, onde R é o raio da circunferência.

Movimento circular uniforme (MCU)

No movimento circular uniforme, o corpo descreve uma trajetória circular, podendo ser uma circunferência ou um arco de circunferência. A velocidade escalar permanece constante e a velocidade vetorial apresenta módulo constante, porém com direção variável. Já a aceleração tangencial é nula (at = 0), ao contrário da aceleração centrípeta (ac ≠ 0).

No MCU, o módulo da aceleração centrípeta é escrito da seguinte maneira: ac = v2/r, onde r é o raio da circunferência descrita pelo móvel.

Um corpo em movimento circular uniforme apresenta um movimento repetitivo, pois passa de tempo em tempo no mesmo ponto da trajetória. Trata-se de um movimento periódico, em que dois conceitos são muito importantes: frequência e período.

A frequência é o número de voltas que o corpo desenvolve em um determinado tempo (f = 1/T).

O período é o tempo gasto para se completar um ciclo (T = 1/f).

Movimento circular uniformemente variado (MCUV)

No MCUV, a velocidade é variável e a aceleração angular constante é diferente de zero.

As equações angulares do MCUV são as seguintes:

formula-3, onde θ e θ0 são, respectivamente, a posição final e inicial da partícula.

formula-2, onde ω ω0 são, respectivamente, a velocidade angular final e inicial da partícula.

formula-1

formula

Queda livre

O movimento de queda livre vem sendo estudado desde 300 a.C, com o filósofo grego Aristóteles. O filósofo afirmava que se duas pedras, uma mais pesada que a outra, fossem soltas de uma mesma altura, a mais pesada atingiria o solo mais rapidamente.

A afirmação de Aristóteles foi aceita como verdadeira durante vários séculos, até que por volta do século XVII, um físico e astrônomo italiano chamado Galileu Galilei contestou tal afirmação.

O experimento de Galileu Galilei

O físico Galileu Galilei era considerado o “pai da experimentação” e acreditava que as hipóteses feitas pelos cientistas deveriam ser comprovadas pelo método científico, isto é, por meio de experimentos e cálculos. Somente após a experimentação é que determinada afirmação poderia ser tida como verdadeira.

Ao realizar um experimento bem simples, Galilei pôde descobrir que a afirmação de Aristóteles não se verificava na prática. O experimento do físico italiano foi o seguinte: da Torre de Pisa, ele abandonou, da mesma altura e ao mesmo tempo, duas esferas de pesos diferentes, e acabou comprovando que ambas atingiam o solo no mesmo instante.

Ao realizar este experimento, Galileu Galilei confirmou que a afirmação de Aristóteles estava errada e teorizou a respeito da queda livre dos corpos: todos os corpos, independente de seu peso, caem juntos ao serem soltos de certa altura.

Após realizar outros experimentos de queda de corpos, o astrônomo percebeu que os corpos atingiam o solo em diferentes instantes e, a partir desta observação, lançou a hipótese de que o ar exercia a ação de uma força que retardava o movimento do corpo.

Anos mais tarde a hipótese de Galilei foi comprovada experimentalmente. Quando dois corpos são abandonados de uma mesma altura, no vácuo ou no ar com resistência desprezível, o tempo de queda é o mesmo para ambos, mesmo que eles tenham pesos diferentes.

Queda livre
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Equações da queda livre de um corpo

Na Física, o movimento de queda livre dos corpos é uma particularidade do movimento uniformemente variado. Trata-se de um movimento acelerado, como provado pelo físico, astrônomo e matemático italiano Galileu Galilei.

O movimento de queda livre sofre a ação da aceleração da gravidade. Esta aceleração é representada por g e é variável para cada ponto da superfície da Terra. No estudo da Física, desprezando-se a resistência do ar, o valor da aceleração da gravidade é constante e aproximadamente igual a 9,8 m/s².

As equações que determinam o movimento de queda livre são as seguintes:

v = g.t     e      d = g.t²/2

Área das figuras planas

O cálculo da área das figuras planas faz parte dos conceitos relacionados à Geometria Euclidiana, que teve início na Grécia Antiga e foi fundamentada no estudo do ponto, da reta e do plano.

Este cálculo propõe-se a saber qual é a área da extensão de uma figura bidimensional, como um retângulo que pode representar a superfície de uma mesa, por exemplo.

Área é o nome dado à medida de uma superfície e a referência de unidade usada é o metro quadrado (m²).

Neste artigo, vamos abordar o cálculo da área das figuras geométricas planas mais comuns, e a área será representada pela letra S.

Cálculo da área de um triângulo

Um triângulo é um polígono de três lados e três ângulos. O cálculo da sua área pode ser feito multiplicando-se a base pela altura, que é obtida tomando por base a ponta do triângulo até a sua base.

Área das figuras planas

No triângulo equilátero, que é aquele que possui os três ângulos internos iguais, o cálculo da área pode ser feito pela seguinte fórmula:

Área das figuras planas , onde l representa a medida dos lados.

Cálculo da área de um retângulo

O retângulo é um quadrilátero equiângulo, isto é, possuem todos os ângulos internos iguais e os lados opostos também são iguais. No caso de um retângulo que apresenta todos os seus quatro lados iguais, trata-se de um tipo especial chamado de quadrado.

Por ser um paralelogramo, o cálculo da sua área usa a fórmula:

Área das figuras planas

Cálculo da área de um paralelogramo

Um paralelogramo é um quadrilátero que possui lados opostos iguais e paralelos. Podemos obter a área desta figura ao multiplicarmos a base pela altura. Observe a fórmula a seguir:

formula, onde h representa a altura e b a base.

Cálculo da área de um losango

O losango é um tipo especial de paralelogramo, pois além de apresentar todos os lados opostos iguais e paralelos, possui os quatro lados iguais, todos os ângulos internos iguais e as diagonais perpendiculares, o que possibilita a sua divisão em quatro triângulos iguais.

Observe a imagem a seguir:

 

Área das figuras planas

Caso as medidas de h e b estejam disponíveis, basta utilizar a mesma fórmula do paralelogramo para conhecer o valor da área. Caso contrário, devemos considerar a área de um dos quatro triângulos formados. Consideremos o seguinte: a base b é a metade da diagonal e a altura h é a metade da diagonal. Assim, para calcularmos a área total, multiplicamos o valor da área do triângulo por quatro.

Área das figuras planas

Ao simplificar, temos que:

Área das figuras planas

Isomeria

Isomeria (do grego iso = mesma(s); meros = partes) é o fenômeno relacionado à existência de dois ou mais compostos químicos que apresentam a mesma fórmula molecular, mas as fórmulas estruturais diferentes. Os compostos químicos com estas características são chamados de isômeros. A descoberta deste fenômeno ocorreu na primeira metade do século XIX e mostrou que as propriedades das substâncias químicas dependem não apenas de sua composição, mas também do arranjo espacial dos átomos dentro da molécula.

Menos frequente nos compostos inorgânicos, a isomeria ocorre principalmente em compostos de carbono, já que o grande número de combinações possíveis das longas cadeias de carbono favorece o aparecimento deste fenômeno. Sendo assim, a isomeria estuda as diferentes probabilidades de existência de compostos com mesma fórmula molecular.

Isomeria plana e espacial

Isomeria plana

Estuda os isômeros pela diferença entre as suas fórmulas estruturais planas. São cinco os casos em que esta isomeria ocorre:

Isomeria de posição – Os isômeros têm o mesmo tipo de cadeia e a mesma função, mas apresentam diferença na posição de um grupo funcional, de uma insaturação ou de um radical.

Exemplos:

– Diferente posição de um grupo funcional
Exemplo: F.M. C3H8O – 1-propanol e 2-propanol.

– Diferente posição de uma insaturação
Exemplo: F.M. C4H8 – 1-buteno e 2-buteno.

– Diferente posição de um radical
Exemplo: F.M. C6H14 – 2-metilpentano e 3-metilpentano.

– Diferente posição de um grupo funcional
Exemplo: F.M. C3H8O – 1-propanol e 2-propanol.

Isomeria de cadeia – Os isômeros pertencem a uma mesma função química, mas apresentam diferentes tipos de cadeias carbônicas.

Exemplos:

– Cadeia normal X cadeia ramificada
Exemplo: F.M. C4H10 – n-butano e metilpropano.

– Cadeia aberta insaturada X cadeia fechada saturada
Exemplo: F.M. C3H6 – propeno e ciclopropano.

Isomeria de função – Os isômeros pertencem a funções diferentes. Os três casos são:

– Álcool e Éter → CnH2n+2O
– Aldeído e Cetona → CnH2nO
– Ácido e Éster → CnH2nO2

Isomeria dinâmica ou tautomeria – Trata-se de um caso particular de isomeria, em que os isômeros de funções químicas diferentes estabelecem um equilíbrio químico dinâmico.

Exemplos:

Isomeria
Foto: Reprodução

Isomeria de Compensação – Isômeros de mesma função química, com cadeias heterogêneas, que diferem pela posição do heteroátomo (átomo diferente do carbono presente nas cadeias carbônicas).

Exemplos:
– F.M. C4H10O – metoxipropano e etoxietano;
– F.M. C4H11N – metil-propilamina e dietilamina.

Isomeria Espacial

Na isomeria espacial, os isômeros têm a mesma fórmula molecular e fórmula espacial diferente. São dois os casos:

Isomeria Geométrica – Um composto químico apresenta esta isomeria quando tem dupla ligação carbono-carbono e se tiver ligantes diferentes a cada carbono da dupla ligação.

Isomeria Óptica – Os isômeros apresentam a propriedade de desviar o plano de vibração da luz polarizada. Os ácidos lácticos são exemplos de isômeros ópticos.

Verbos transitivos

Na Gramática, os verbos são as palavras que exprimem ações, estado, mudança de estado e fenômenos meteorológicos, sempre levando-se em conta determinado tempo. Os verbos são classificados quanto à semântica, quanto à morfologia e quanto às conjugações. Dentro da Semântica, uma das classificações são os verbos transitivos, tema deste artigo.

Quais são os verbos transitivos?

Os verbos transitivos (VT) são aqueles que necessitam de complemento por possuírem o sentido incompleto. Estes verbos transitam e precisam de um complemento para que a ação verbal tenha sentido.

Preste atenção nos exemplos a seguir:

Tenho uma estante cheia de livros.

(Quem tem, tem alguma coisa, certo? Tenho o quê? Uma estante cheia de livros.)

Gosto muito da sua companhia.

(Quem gosta, gosta de alguém ou de algo, certo? Gosto de quê? Da sua companhia.)

Classificação dos verbos transitivos

Os verbos transitivos são classificados em verbos transitivos diretos (VTD), verbos transitivos indiretos (VTI) e verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI, também denominados bitransitivos).

Verbos transitivos
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Verbos transitivos diretos (VTD)

São os verbos que exigem complemento sem preposição obrigatória, isto é, os complementos se unem ao verbo sem o auxílio de uma preposição. Confira o exemplo a seguir:

Li o artigo que você publicou.

(Li o quê? O artigo que você publicou).

Perceba que o verbo necessita de complemento, mas sem preposição. Quando houver dúvida sobre o verbo transitivo, uma dica é tentar completá-lo com “alguma coisa”, pois geralmente ele aceita este complemento.

Verbos transitivos indiretos (VTI)

São os verbos que exigem complemento com preposição obrigatória, isto é, se unem ao verbo com o auxílio de uma preposição. Confira os exemplos a seguir:

Preciso de um computador novo.

(Quem precisa, precisa de algo).

Ela acredita em contos de fadas.

(Quem acredita, acredita em algo ou alguma coisa).

Verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI) ou verbos bitransitivos

Os verbos transitivos diretos e indiretos, também conhecidos como bitransitivos, são aqueles acompanhados de um objeto direto e um indireto, concomitantemente. Confira os exemplos a seguir:

Exemplos: A empresa fornece alimentação aos trabalhadores.

Objeto direto: alimentação
Objeto indireto: aos trabalhadores

Ele agradeceu aos ouvintes a audiência.

Objeto direto: a audiência
Objeto indireto: aos ouvintes

Perdoa-lhe tudo. (= Perdoa tudo a ele)

Objeto direto: tudo
Objeto indireto: lhe

Cinismo

O cinismo (em grego antigo kynikós; em latim cinicus) foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, seguidor de Sócrates, aproximadamente no ano 400 a.C. Para os adeptos do cinismo, os cínicos, o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a natureza. O filósofo Antístenes foi o primeiro a definir o cinismo, sendo seguido por Diógenes de Sinope, que levou esta corrente de pensamento a extremos lógicos e passou a ser considerado como o modelo de filósofo cínico, devido à sua autossuficiência e apatheia diante das vicissitudes da vida, ideais dos cínicos.

Origem do termo

A origem do termo “cinismo” apresenta controvérsias: alguns pesquisadores acreditam que ele é proveniente do Ginásio Cinosarge, espaço em que Antístenes teria construído sua Escola; outros estudiosos afirmam que “cinismo” deriva da palavra grega kynós, que significa “cachorro”, sendo uma alusão à vida destes animais.

De qualquer forma, o termo tem origem no grego Kynismós, passa pelo latim cynismu até chegar aos dias atuais.

A história dos cínicos

Os cínicos gregos e romanos clássicos consideravam que a virtude era inteiramente suficiente para o alcance da felicidade. Os cínicos clássicos seguiram esta filosofia a ponto de negligenciarem tudo que não promovesse a virtude, como a sociedade, o dinheiro, a higiene etc., procurando libertarem-se de convenções e tornando-se autossuficientes, vivendo apenas de acordo com a natureza. Os cínicos rejeitavam noções convencionais de felicidade, como aquelas que envolvem dinheiro, poder ou fama.

Cinismo
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Princípios fundamentais do cinismo

O cinismo é uma das filosofias mais marcantes da filosofia helenística e, embora nunca tenha existido uma doutrina oficial, os princípios oficiais desta corrente filosófica podem ser resumidos da seguinte forma:

  • O objetivo da vida é a felicidade (Eudaimonia) e clareza ou lucidez mental;
  • A Eudaimonia é alcançada ao se viver de acordo com a natureza (Physis);
  • A arrogância é causada por falsos julgamentos de valor, que acarretam emoções negativas, desejos não naturais e caráter vicioso;
  • A Eudaimonia depende de autossuficiência, apatheia, arete, filantropia, paresia e indiferença para com as vicissitudes da vida;
  • A evolução do indivíduo dá-se através de práticas ascéticas, que ajudam-no a se livrar de influências – como riqueza, fama ou poder – que não têm valor na natureza;
  • Os adeptos da filosofia cínica praticam o descaramento ou a desfaçatez, desfigurando as leis, os costumes e convenções sociais aceitos pela sociedade como corretos;
  • A sabedoria maior consiste na ação, não apenas no pensamento.

Biogeografia

Biogeografia é a ciência responsável pelo estudo da distribuição dos seres vivos no espaço geográfico e através do tempo geológico, buscando apreender os padrões de organização espacial e os processos que resultaram em determinadas disposições biológicas. A biogeografia agrega os conhecimentos de diversas outras ciências, tais como a biologia, climatologia, geografia, geologia, ecologia e ciência da evolução.

O objeto central da Biogeografia é o estudo da evolução das espécies e o modo como as diversas condições ambientais atuam no desenvolvimento da vida.

Histórico da biogeografia

A origem da Biogeografia está nos estudos do naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico Alfred Russel Wallace, desenvolvidos no arquipélago malaio. O pesquisador descreveu inúmeras espécies daquele local e percebeu que, ao norte, em determinada região, as espécies tinham relação com espécies do continente asiático; enquanto que, nas ilhas localizadas mais ao sul, as espécies eram relacionadas com espécies do continente australiano.

Esta conclusão resultou em uma subsequente delimitação e mapeamento das regiões pesquisadas e estudadas por Wallace. Mais tarde, tais regiões receberam o nome de “Linha de Wallace”.

A Biogeografia, enquanto teoria científica, também cresceu com a contribuição dos trabalhos de outros pesquisadores, a saber: Alexander Von Humboldt, Hewett Cottrell Watson, Alphonse de Candolle, Philip Lutley Sclater, dentre outros biólogos e exploradores.

Biogeografia
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Divisão didática da biogeografia

O botânico De Candolle dividiu a Biogeografia em suas subáreas: A Biogeografia Ecológica e a Biogeografia Histórica.

  • Biogeografia ecológica: Cabe a esta subárea estudar como os processos ecológicos que ocorrem a curto prazo agem sobre o padrão de distribuição dos organismos e explicar esta distribuição em função de suas adaptações às condições atuais do meio;
  • Biogeografia histórica: Esta subárea estuda como os processos ecológicos que ocorrem a longo prazo agem sobre o padrão de distribuição dos seres vivos e explica esta distribuição em função de fatores históricos.

As regiões biogeográficas terrestres

Seguindo a linha do estudo inicial realizado por Wallace, as diversas regiões do planeta passaram a ser gradualmente mapeadas, pesquisadas e catalogadas, resultando na divisão de oito grandes regiões biogeográficas da parte continental do planeta Terra. São elas:

  • Região Paleártica – Europa, norte da África até o Deserto do Saara, norte da Península Arábica e toda Ásia ao norte do Himalaia, incluindo China e Japão;
  • Região Neoártica – Toda a América do Norte, incluindo a Groelândia, até o centro do México;
  • Região Neotropical – Desde o centro do México até o sul da América do Sul;
  • Região Afro-tropical ou Etiópica – África sub-saariana e o sul da Península Arábica;
  • Região Indo-malaia – Subcontinente indiano, sul da China, Indochina, Filipinas e a metade Ocidental da Indonésia;
  • Região Australiana – Indonésia Oriental, Nova Guiné, Austrália e Nova Zelândia;
  • Região Oceânica – As demais ilhas do Oceano Pacífico;
  • Região Antártica – O continente e o oceano com o mesmo nome.

Cronobiologia

Cronobiologia (do grego khronos – crono = tempo; biós = vida e logos = estudo) é a ciência responsável por estudar os ritmos e os fenômenos biológicos que ocorrem nos seres vivos com uma periodicidade determinada. Ou seja, este ramo da Biologia é responsável pelo estudo do “relógio biológico” dos seres vivos.

As primeiras ideias sobre a existência dos relógios biológicos são do século XVIII, porém somente no século XX a cronobiologia passou a ser internacionalmente aceita. Em 1960, no evento “Cold Spring Harbor Symposium of Quantitative Biology – Biological Clocks”, as principais vertentes deste novo campo do saber científico foram definidas.

Cronobiologia

O ritmo biológico do ser humano

O ritmo biológico do ser humano vem sendo analisado por pesquisadores desde a Grécia Antiga, no entanto, foi apenas no fim da década de 1950 que o estudo deste mecanismo passou a ser reconhecido como uma disciplina científica – surgia aí a Cronobiologia, ramo de estudo da biologia em função do tempo.

Todos os seres vivos, inclusive o ser humano, desenvolveram ritmos de expressão funcional para se adaptarem à alternância entre o dia (luz) e a noite (escuridão). A Cronobiologia contribui fornecendo indicações de como o nosso organismo se comporta em determinados períodos do dia.

No decorrer do dia, todos os seres vivos apresentam um conjunto de ritmos denominado ritmos circadianos, que se repetem a cada 24 horas. Além dos ritmos circadianos, existem também os ritmos ultradianos, que são múltiplos ciclos que se repetem a cada 24 horas, como a respiração ou os batimentos cardíacos; e os ciclos infradianos, aqueles que se completam dentro de 28 horas ou mais.

O núcleo supra quiasmático do hipotálamo é considerado o nosso relógio biológico, pois os neurônios presentes nesta estrutura são os responsáveis pelo ritmo circadiano.

A variação dos ritmos biológicos

Os ritmos biológicos variam de pessoa para pessoa, sendo assim, existem pessoas que são matutinas e outras vespertinas.

Os indivíduos que acordam muito cedo, bem dispostos e bem-humorados, são classificados como pessoas do cronotipo matutino. Já os indivíduos que dormem até tarde e só se sentem dispostos após o almoço, com o máximo de eficiência ao entardecer, são classificados como de cronotipo vespertino.

Há, ainda, as pessoas mistas, que são aquelas que não estão nem um extremo nem em outro. Os indivíduos mistos representam o grupo de maior parte da população (80%) e ora apresentam predominância matutina, ora vespertina, e conseguem se adaptar com facilidade aos horários impostos.