Cinismo

O cinismo (em grego antigo kynikós; em latim cinicus) foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, seguidor de Sócrates, aproximadamente no ano 400 a.C. Para os adeptos do cinismo, os cínicos, o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a natureza. O filósofo Antístenes foi o primeiro a definir o cinismo, sendo seguido por Diógenes de Sinope, que levou esta corrente de pensamento a extremos lógicos e passou a ser considerado como o modelo de filósofo cínico, devido à sua autossuficiência e apatheia diante das vicissitudes da vida, ideais dos cínicos.

Origem do termo

A origem do termo “cinismo” apresenta controvérsias: alguns pesquisadores acreditam que ele é proveniente do Ginásio Cinosarge, espaço em que Antístenes teria construído sua Escola; outros estudiosos afirmam que “cinismo” deriva da palavra grega kynós, que significa “cachorro”, sendo uma alusão à vida destes animais.

De qualquer forma, o termo tem origem no grego Kynismós, passa pelo latim cynismu até chegar aos dias atuais.

A história dos cínicos

Os cínicos gregos e romanos clássicos consideravam que a virtude era inteiramente suficiente para o alcance da felicidade. Os cínicos clássicos seguiram esta filosofia a ponto de negligenciarem tudo que não promovesse a virtude, como a sociedade, o dinheiro, a higiene etc., procurando libertarem-se de convenções e tornando-se autossuficientes, vivendo apenas de acordo com a natureza. Os cínicos rejeitavam noções convencionais de felicidade, como aquelas que envolvem dinheiro, poder ou fama.

Cinismo
Foto: Reprodução

Princípios fundamentais do cinismo

O cinismo é uma das filosofias mais marcantes da filosofia helenística e, embora nunca tenha existido uma doutrina oficial, os princípios oficiais desta corrente filosófica podem ser resumidos da seguinte forma:

  • O objetivo da vida é a felicidade (Eudaimonia) e clareza ou lucidez mental;
  • A Eudaimonia é alcançada ao se viver de acordo com a natureza (Physis);
  • A arrogância é causada por falsos julgamentos de valor, que acarretam emoções negativas, desejos não naturais e caráter vicioso;
  • A Eudaimonia depende de autossuficiência, apatheia, arete, filantropia, paresia e indiferença para com as vicissitudes da vida;
  • A evolução do indivíduo dá-se através de práticas ascéticas, que ajudam-no a se livrar de influências – como riqueza, fama ou poder – que não têm valor na natureza;
  • Os adeptos da filosofia cínica praticam o descaramento ou a desfaçatez, desfigurando as leis, os costumes e convenções sociais aceitos pela sociedade como corretos;
  • A sabedoria maior consiste na ação, não apenas no pensamento.

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