Cisma do Oriente, a divisão do catolicismo

Um grande conflito de interesses aconteceu no século XI, entre a Igreja Católica do Ocidente e a Igreja Católica do Oriente. Desse conflito ocorreu o Cisma do Oriente, que foi um acontecimento que estabeleceu o rompimento dentro da Igreja, onde ambos os lados passaram a defender suas próprias doutrinas, o que persiste até os dias atuais.

Definição

O Cisma do Oriente é um termo dado à divisão da Igreja Católica, que ocorreu em 1054, entre a igreja que era dirigida pelo papa, em Roma, e a igreja que era dirigida pelo patriarca, em Constantinopla.

Cisma do Oriente, a divisão do catolicismo
Imagem: Reprodução

É possível afirmar que o Cisma foi resultado de um constante distanciamento entre as práticas cristãs realizadas pelas duas vertentes do catolicismo, que gerou um conflito entre ambas as partes, além de representar uma disputa pelo poder político e econômico na região mediterrânea.

As sedes da Igreja Católica

Durante a Idade Média, a Igreja Católica possuiu três sedes, uma localizada em Roma, no Ocidente, outra na cidade de Constantinopla, no Oriente e a terceira em Alexandria, no Egito. Esta última acabou perdendo sua importância depois da anexação do Egito ao Império Muçulmano.

Quando o Império Romano ainda estava no poder, foi estabelecido e acordado entre as duas partes da Igreja que a capital do Império seria Roma. Mas mesmo com a Igreja do Oriente concordando, havia ressentimento devido a algumas exigências jurídicas que os papas faziam.

Essas exigências foram mais marcantes entre 1048 e 1054, durante a ocupação do papa Leão IX, mas seus seguidores deram continuidade às suas determinações. E a Igreja do Ocidente passou a se opor ao sistema adotado pela Igreja do Oriente. 

Constantinopla x Roma

Com a discordância do sistema proposto de Igreja do Oriente, em Roma, as duas Igrejas, de Roma e Constantinopla, passaram a ter diversos conflitos ideológicos. Com o passar dos séculos as duas Igrejas cultivaram mais desigualdades culturais e políticas e após vários conflitos chegaram a causar a divisão do próprio Império Romano entre Ocidental e Oriental.

As Igrejas passaram a desenvolver suas próprias características com o tempo, o Império Romano chegou ao seu fim gerando uma nova estruturação. E no Oriente as tradições ainda eram as mesmas na sociedade e a Igreja cultivava a cristandade helenística. Enquanto a Igreja do Ocidente se influenciou pelos povos germanos, a Igreja do Oriente carregou a tradição e o rito grego e integrou, principalmente, o Império Bizantino.

O Cisma do Oriente

A partir do segundo milênio os conflitos aumentaram significativamente. Na Igreja Bizantina, em 1043, o patriarca Miguel Cerulário passou a pregar contra as Igrejas Latinas na cidade de Constantinopla. Alguns anos depois, Roma enviou o Cardeal Humberto para compreender e solucionar o problema em Constantinopla. Mas a crise já tinha tomado um grande espaço e o Cardeal decidiu excomungar o patriarca Miguel Cerulário. Esse ato acabou se estendendo por toda a Igreja Bizantina e o papa Leão IX foi excomungado. Foi neste momento que aconteceu o Cisma do Oriente, também chamado de O Grande Cisma do Oriente, que deu origem à Igreja Ortodoxa, no Oriente, e a Igreja Católica Apostólica Romana, no Ocidente.

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