Arquivo da categoria: História

Ciclo do Pau Brasil

O pau Brasil já era conhecido – não por esse nome – pelos europeus antes mesmo de Cabral chegar à América. De coloração avermelhada, a madeira era trazida das Índias pelos árabes – que conseguiam grandes lucros – e agradavam a todos, pois era usada para retirada de um corante usado para tingir tecidos. A coloração vermelha nos tecidos era, durante muito tempo, reservada aos eclesiásticos, e acabou caindo no gosto dos burgueses.

Desde a idade média esse pigmento – depois denominado brasilina – extraído da madeira era usado para tingir tecidos. Seu valor, durante o séc. XVI era tão alto que acabou influenciando em disputas por novas terras entre os franceses, holandeses e portugueses.

A árvore pertence à família das leguminosas e à espécie Caesalpinia echinata – devido aos espinhos em grande quantidade que possui no tronco – e foi praticamente extinta no século XX.

Ciclo do Pau Brasil
Foto: Reprodução

Expedição de 1503

Apenas 3 anos após o descobrimento do Brasil, Américo Vespúcio fez uma segunda expedição às terras descobertas e enviou ao rei de Portugal, Dom Manuel, uma carta relatório que o informava a respeito das riquezas procuradas nas terras. No texto, ele informava que as de maior proveito eram infinitas árvores de pau Brasil. Na Mata Atlântica, encontraram além do Pau Brasil – na região do Espírito Santo e da Bahia -, muitas madeiras de lei como a caviúna, jacarandá e outras. A árvore pau Brasil recebeu esse nome por ser encontrada em grandes quantidades em terras brasileiras.

O comércio da árvore tão valiosa ficou sob monopólio da coroa, mas os lucros acabaram sendo inferiores ao que Portugal vinha adquirindo com as especiarias que eram trazidas da Índia. Com isso, a coroa acabou por colocar a extração da madeira nas mãos de uma companhia particular, no entanto, esta deveria vender todo o produto à coroa.

Foi determinado pelos primeiros mercadores que o comprometimento da exploração das terras era de enviar 6 navios por ano, explorar 300 léguas do território e construir feitorias no litoral. No entanto, precisavam pagar 4 mil ducados por ano à coroa devido à licença concedida. Quando o prazo venceu, Fernando de Noronha renovou até 1511 e, durante o período, a exploração foi o equivale te a 20 mil quintais – 4 arrobas ou ainda 60 kg a unidade -, sendo que cada um valia aproximadamente 2 ducados e meio.

No ano de 1513, o contrato passou para Jorge Lopes Bixorde, no entanto, a companhia dele poderia comercializar a madeira mais amplamente e livremente, desde que pagasse o imposto no valor de 1/5 do carregamento.

O ciclo teve continuidade até o ano de 1832, que foi quando foram descobertos os primeiros corantes artificiais. Somente em 1875, no entanto, D. Pedro II retirou os impostos especiais cobrados na exportação, deixando o valor semelhante ao das outras madeiras.

O pau Brasil

Gabriel Soares de Souza escreveu no Tratado Descritivo do Brasil em 1587 que a madeira estava presente em grandes quantidades desde o litoral do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte. Extraído de forma rudimentar, a madeira era derrubada pelos índios – que chamavam a árvore de ibirapitinga – que as empilhavam em troca de presentes. O transporte também era feito por eles que carregavam nos ombros por várias léguas, caminhando até o porto. Além disso, carregavam os navios.

A exploração não formou núcleos de povoamento, no entanto foi retratada não apenas em documentos portugueses, mas também em obras de artistas que retratavam os primeiros anos do Brasil. Não tardou a acabar essa riqueza que antes era facilmente encontrada no país. Aos poucos, a madeira deixou de ter taxas especiais e passou a ser taxada da mesma forma como as outras madeiras. Esse foi o primeiro produto explorado pelos portugueses, e passou a ser usada, inclusive, para a fabricação de instrumentos musicais – como o violino e o violoncelo -, pois dava o timbre perfeito à eles.

Tenentismo no Brasil

O tenentismo ocorreu no Brasil nas décadas de 1920 e 1930, foi um movimento social de caráter político-militar, ganhou força entre jovens tenentes do exército e militares de média e baixa patente durante os últimos anos de República Velha, conhecido também como período da República das Oligarquias.

O movimento foi muito influenciado pelos anseios políticos das populações urbanas, os militares se mostraram favoráveis as tendências políticas republicanas liberais, entre outros pontos.

Tenentismo no Brasil
Foto: Reprodução

Tenentismo defendia mudanças no governo

O movimento defendia a mudança, a reforma política e social do governo, que naquele momento era dominado por representantes das oligarquias cafeeiras, isto é, o famoso coronelismo. O tenentismo, mesmo tendo características conservadoras e autoritárias, queria o fim da corrupção, defendendo as seguintes e principais mudanças: o fim do voto de cabresto (fraude nas eleições que só beneficiavam os coronéis); reforma do sistema educacional público; mudança no sistema de voto aberto para secreto.

O movimento também era favorável à liberdade dos meios de comunicação, os tenentistas queriam que o poder Executivo tivesse suas atribuições restringidas, maior autonomia ao poder judiciário e até mesmo a moralização dos representantes do poder Legislativo.

Momento de tensão nas eleições de 1922

Durante as eleições que aconteceram em 1922, os tenentes apoiaram a candidatura de Nilo Peçanha, em oposição estava o mineiro Arthur Bernardes, político fortemente comprometido com os cafeicultores, esta primeira manifestação foi conhecida como “Reação Republicana”, fortes críticas foram atribuídas nos jornais da época falsamente a Arthur Bernardes, com a vitória das oligarquias, a primeira manifestação tenentista ocorreu no episódio chamado de “18 do Forte de Copacabana”. Em julho de 1922, no Rio de Janeiro

No Rio Grande do Sul, em 1923 houve uma revolta militar e em São Paulo, em 1924, houve outra revolta militar, mostrando a partir daí a presença dos tenentistas no cenário político. Os tenentistas de ambas as cidades se juntaram para a formação de uma guerrilha conhecida como Coluna Prestes, de 1925 a 1927, foi um grupo composto por civis e militares armados, que seguiram milhares de quilômetros sob os cuidados do líder Luís Carlos Prestes, com o objetivo de conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas pelo governo republicano.

Tenentismo se torna cada vez mais fraco

A pós a Revolução de 1930, o movimento tenentista perde forças e Getúlio Vargas chega ao poder. Getúlio Vargas conseguiu dividir o movimento, onde importantes nomes do tenentismo passaram a atuar como interventores federais, enquanto outros continuaram no movimento, fazendo parte da Coluna Prestes.