Qual a diferença entre paradoxo e antítese?

Antes de adentrarmos na explicação sobre paradoxo e antítese, é importante saber de um conceito: as figuras de pensamento. Estas fazem parte das figuras de linguagem, que são o resultado de um desacordo entre o que se deseja falar realmente e o que foi dito. É composta, na verdade de desvios que ocultam um estado de consciência. Entre as linguagens de pensamento, estão o eufemismo, a ironia, a litote, a prosopopeia, a antítese e o paradoxo.

Antítese

Quando falamos em antítese estamos nos referindo à exposição de significados ou ideias contrárias, sendo por meio de palavras, frases ou orações. Por exemplo “Ela não chora, ri”, onde há uma oposição entre rir e chorar.

Esse recurso foi muito presente como característica da literatura barroca, como no trecho de Sermão da Sexagésima “… mas esse espírito tinha impulsos para os levar, não tinha regresso para os trazer; porque sair para tornar melhor é não sair”.

Qual a diferença entre paradoxo e antítese?
Foto: Reprodução

Paradoxo

Já quando nos referimos ao paradoxo presente em um texto, o contraste está na ideia em contradição, como no soneto de Camões abaixo.

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer,
É um querer mais que bem-querer,
É um solitário andar por entre a gente,
É um não contentar-se de contente,
É cuidar que se ganha em perder,
É um estar-se preso por vontade,
É servir quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade,
Mas como causar pode o seu favor
Nos mortais corações conformidade
Sendo a si tão contrário o mesmo amor?

Como podemos ver, o texto é cheio de paradoxos, ou seja, cheio de ideias que aparentam ser contraditórias, mas tem explicação que transcende os limites da expressão verbal.

Para melhor entendimento, podemos citar um paradoxo que não envolve as palavras: a amizade entre um cão e um gato. Estes, conceitualmente, não se dão bem, mas vivem bem com a sua antítese – oposição de ideias – de amor e ódio.

Objetivos

Ambas as figuras de linguagem – e de pensamento – descritas neste artigo podem ser usadas para conferir ao texto maior expressividade, demonstrando mais sentimento fugindo da expressão verbal tradicional. Além disso, os textos em que há uma dessas figuras, ou ainda outras, ficam mais interessantes, divertidas e expressivas.

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